Sobre Mim

 

Costumo dizer que o curso de joalharia tornou-se num daqueles “acasos felizes” que por vezes nos surgem. Na verdade, após ter concluído um curso de Design de Interiores e outro de Realização, nada me fazia prever que o depois tornar-se-ia numa vida profissional tão rica e sem limites de imaginação.
Devido à oportunidade que tive de realizar viagens, um dos pontos de visita que por algum motivo escondido não deixava passar, era o de ver as montras das grandes joalharias e conhecer ateliers. Interrogava-me quantas horas despendiam os joalheiros a imaginar, desenhar, executar … até surgir uma peça.
Com o evoluir do tempo, comecei a verificar que no nosso país o mundo das pérolas estava pouco difundido. A maioria das peças pautava-se pela utilização das pérolas mais comuns.

Ora, foi relativamente a este sector, que o meu pai me desafiou a encarar o mundo das pérolas como uma possibilidade profissional. E foi assim, que depois de uma viagem a Basileia – local onde se realiza uma das maiores feiras de joalharia do mundo, onde reputados joalheiros internacionais expõem peças trabalhadas ao longo do ano, onde fornecedores mostram as melhores e mais recentes matérias-primas – decidi divulgar as pérolas com as suas diferentes formas, cores e origens tão diversas como as do Japão, Kasumiga, Tahiti, Mares do Sul, passando pelas Akoya, China, até às Keshi. Vim carregada com catálogos e livros mas fascinada com o meu novo percurso.

Realizado este primeiro passo, decidi tirar um curso de joalharia, pois, à medida que ia vendendo, e por interacção espontânea, também dava conselhos sobre a melhor maneira de utilizar as respectivas pérolas. E, numa dessas vezes, uma cliente interpelou-me: “pode executar essa ideia?”. Surgiu o “acaso feliz”, fazendo parecer real o nome pelo qual entre lendas e mitos as pérolas são apelidadas – gift of the gods!
Ainda antes de ter terminado o curso, no ano de 1996, fui convidada a expor peças minhas na “Galeria 65 A”, em Lisboa. Outras, no mesmo local, seguiram-se. Mais tarde, novamente por convite expus na “Galeria Conventual”, em Alcobaça, bem como, no “Hotel Lapa Palace”. Desde 2008, disponho de peças executadas por mim numa joalharia de grande exclusividade em Baden-Baden, na Alemanha.

Hoje, na Avenida da Liberdade, executo e exponho algumas peças e mesmo com um percurso longo, o rigor, a paixão e o desafio são uma constante, quer esteja perante um alfinete, um colar, um par de brincos, a única coisa que me interessa é o mesmo dizer que “era mesmo isto”, “ficou melhor do que eu tinha imaginado”. Na verdade, ao sair o cliente sabe que leva consigo algo que mais ninguém terá, a unicidade é um princípio basilar do meu trabalho.